Meia noite, de boa em casa, no meu antigo mas para sempre quarto, eis que meu pai adentra meu sagrado refúgio e a situação era essa: toalhinha embaixo da porta, ventilador apontado para a janela e eu passando creme hidratante cuidadosamente nas mãos e na barba (?).
Do nada, painho: "É, tem que consertar o interruptor."
Painho testa o interruptor que não surpreendentemente funciona e apaga tudo. Mas rapidinho, liga a luz, fala um "oxe!" e fecha a porta cirurgicamente.
"Ócio significa não fazer nada, e vem do latim otiu. Ócio representa, por exemplo, uma folga, um momento de contemplação, um descanso despropositado." Nesses raros momentos de abstração as ideias brotam de uma forma linda, inusitada, mas também, às vezes, destruidora, corrosiva.
segunda-feira, 27 de maio de 2019
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Apanhei merecidamente
Olhando para trás, lendo, lembrando, ouvindo, fumando. Bicho; bicho! Sério mesmo, vei. Tem que fazer um esforço fudido pra não glamourizar o sofrimento e os ambientes tóxicos. Mas caralho. Se a pessoa consegue sair desse disco... Vei, serião. A pessoa sai fudidaça de foda. Eu nunca me gostei tanto, me aproveitei tanto, me compreendi tanto. E isso me fez gostar muito mais das pessoas, aproveitar muito mais as pessoas, compreender as pessoas. Traumas me fizeram reconhecer o sofrimento no outro. Me solidarizar com o outro. Apoiar, suportar, levantar. Isso que é foda. Porque não é pra fazer isso, saca? Foi positivo pra carai, mas não é pra ficar dando esse valor pros momentos fudidos que a gente passa. Mas somos poços de contradição, não tem jeito. Foda. Um dia, recentemente mas em outro universo, um bicho muito querido me disse que se reconhecia como uma pessoa muito privilegiada; não identificou momentos traumáticos na própria vida. Bote fé, tá ligado? Mas é isso. Vários universos.
Intencionalidades
Este surfista poeta, tem um jeito doce na fala, mas não nos enganemos, ele é forte como um tubarão. E precisa ser revestido de gana, não é mesmo? Afinal, ele tem os sete mares para desbravar!
Não posso falar tão abertamente
Mas que bom que vivi tempos ásperos. Que bom que tive o privilégio de não sair ileso, mas poder continuar. E faço questão de pontuar que não intento em glamourizar o sofrimento ou, pior, tê-lo como condição necessária para atingir qualquer horizonte.
Mas é impossível não fazer a mesma leitura repetidas vezes: como realmente é impactante sair da zona de conforto; mas, por favor, que esse movimento não seja subestimado.
É importante que se observe as consequências dos nossos traumas para tentarmos ao máximo uma passagem fluída.
Fica difícil, porém, quando olhamos para trás e percebemos que já perdemos de vista o brilho de dias tranquilos. É isso.
Será que é isso?
Mas é impossível não fazer a mesma leitura repetidas vezes: como realmente é impactante sair da zona de conforto; mas, por favor, que esse movimento não seja subestimado.
É importante que se observe as consequências dos nossos traumas para tentarmos ao máximo uma passagem fluída.
Fica difícil, porém, quando olhamos para trás e percebemos que já perdemos de vista o brilho de dias tranquilos. É isso.
Será que é isso?
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
fraud syndrome ou feedback
Recentemente mudei a dieta das minhas terapias; transpareci internado.
[aperta]
Pra que tanto suor e lágrimas? Pra quem eu ligo? Tenho alguém? A gente tinha alguma coisa?
[acende]
Hoje vai ser diferente. Agora vai. Tem que ser. Vai dar certo.
[puxa]
É um trocadilho simbólico a vida.
[prende]
Com certeza um dos momentos mais difíceis da minha vida. Vai passar.
[passa]
Pra quem eu ligo?
[aperta]
Pra que tanto suor e lágrimas? Pra quem eu ligo? Tenho alguém? A gente tinha alguma coisa?
[acende]
Hoje vai ser diferente. Agora vai. Tem que ser. Vai dar certo.
[puxa]
É um trocadilho simbólico a vida.
[prende]
Com certeza um dos momentos mais difíceis da minha vida. Vai passar.
[passa]
Pra quem eu ligo?
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Lembrando ~autocorrect
Eu era fogo.
Curiosamente,
o elemento que se aventurou de forma mais profunda nas minhas chamas,
a água.
Achamos estabilidade no abrandamento do meu calor.
E o vapor me circundava e penetrava.
Antes do fim, o vapor condensou e precipitou.
Antes do fim, o vapor condensou e precipitou.
Restaram cinzas e fumaça preta.
Devastado.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Situando-me
Aguardo pensativo, sentado num banco da Praça de Casa Forte em frente a 17 de Agosto. Percebo as pessoas que passam apressadas olhando seus celulares; carros e ônibus passam com igual pressa. O mundo pulsa freneticamente.
Encontro-me rodeado de prédios luxuosos, restaurantes caros e carros mais caros ainda. Ao passo que vejo multidões sem ter o que vestir, o que comer, onde dormir. Um povo sem esperança.
Casa Forte, um bairro de classe média-alta, onde os necessitados andam timidamente, alguns beirando a loucura por falta de amparo. Beirando a loucura talvez por sequer serem notados em meio ao frenesi.
Encontro-me rodeado de prédios luxuosos, restaurantes caros e carros mais caros ainda. Ao passo que vejo multidões sem ter o que vestir, o que comer, onde dormir. Um povo sem esperança.
Enquanto essa parcela perece, a nova geração - filhos e filhas da classe abastada - vivem seus dias de abominável consumo. Felicidade equivale a uma grade cerveja ou alguns litros de vodca. E se for Absolut Black vale até uma foto no Instagram.
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