não consigo te ver
nem que a gente divida a mesma vida
respire o mesmo ar
e pise na mesma mata
não te vejo
mesmo que nossos caminhos
sejam os mesmos de sempre
cílios que protegem nossas águas
salgadas e doces
mesmo assim te procurei
de soslaio
fantasma que ronda
no canto do olho
mas quando enquadro a fotografia
desaparece instantaneamente
mesmo assim te achei
coração palpitante
medo dilacerante
mesmo assim fui
e quando vi
tive certeza
que era tu
o carrossel de cores vibrantes
suspensos sobre galhos
pneumáticos
pseudonaturais
mortos mesmo
mortos mesmo
afinal
a gente até sabe
natural e artificial
são categorias inventadas
prótese típica do ciborgue
por mais que tu negue
transitamos no mesmo mundo
sujeitos dos mesmos traumas
nenhuma experiência
é individual
fica na moral
mas não fica confortável
porque eu não to nem aqui
to fazendo minha arte
do jeito que dá
to fazendo minha arte
do jeito que dá