daquela cena de fundo azul
azul-marinho profundo
riscada em traços pretos
ora delicados
ora grosseiros
o auto-retrato solitário
que mais me chamou
foi aquela menina
caindo pelo chão
nas manhãs
era onde o sol não batia
ficava na penumbra
fazendo da sombra altar
expondo o que era luz
desse lugar-memória
particularmente
o que eu mais gosto
é onde os dedos
encontram a pele
levemente encostados
na margem da coxa
afundando delicadamente
covas rasas
onde pulsa em segredo
rio vermelho quente
pequenas sepulturas
expondo o limite
corpo continente
entregando o toque mais íntimo
até esgotar os sentidos
chamando à luz
de olhos fechados
para abrir
os próprios sentidos