reposicionei o espelho
antes ele não me fitava
agora tá me vendo de soslaio
e eu a ele
quando o miro
ainda vejo as imperfeições
as assimetrias
e os riscos na tela
continuo procurando
curioso
todos os sinais
os que vieram
e esses aí que ainda não
antena parabólica
enfiada do mangue
recebo tudo que veio
e as ausências preenchidas
com raios luminosos mortos
sigo em repouso ativo
sem deixar parar
a máquina de fazer festa
mesmo assim
ainda é verdade
qualquer celebração é uma farsa
ritual incompleto
catarse da catástrofe
silêncio em todos os clarins
corpos estáticos
esperando notar
a volta dos que não foram
até perceber
que estão todos aí
e em lugar algum