parece uma hérnia de silêncio
um corte que pede bisturi
e não sei onde abrir
nem se quero desvendar
nunca tinha sentido assim
a gente tá aí pra se arrebentar né
cair pra levantar de novo
tão excitante quanto assustador
pela primeira vez em anos
tô revisando as fundações
tudo que já me sustentou
o cimento, os mitos, as crenças, os remendos
há rachaduras no piso, no teto e nas paredes
e mesmo assim sigo morando em mim
e mesmo assim sigo morando em mim
a última vez que me faltou chão
foi com ajuda de tecnologias sagradas
vi cores, sobretudo azul
fractais desenhando o infinito
o silêncio tinha forma de névoa
uma presença diminuta
quase não vi só senti
mudou devagar mas fundo
meu corpo, minha mente, meu tempo
devo tanto à floresta
e quando faltou chão de novo
os pés tocaram a terra da mata
rizoma buscando nutrição
enraizando pra sustentar
o que ainda vai nascer
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