vovô amava cuidar da saúde
foi ele quem me ensinou
que o corpo é o nosso primeiro templo
e que só a gente zela por ele
vovô odiava médico e hospital
foi ele quem me ensinou também
amava a verdade
mas temia resultado de exame
as contradições que nos formam
somos poços profundos
cheios de correntezas contrárias
desajeitadas e sinceras
vovô tinha dois protocolos de cuidados básicos
o primeiro simples e mágico
esfregava rápido os dedos indicador e médio
até acender um fogo invisível nas pontas
depois pousava os dedos quentes na ferida
se você prestar atenção
o que vovô fazia era convocar o corpo
pra olhar pra si mesmo
"olha aqui, ó. o que é que há?"
era o primeiro protocolo
atenção, presença, toque, calor
aqui, agora
feitiço ancestral
o segundo protocolo era só uma frase
algumas palavras que vovô sempre dizia
e que por isso completavam o feitiço
"vai ficar bom" e sorria confiante
o segundo protocolo era a fé
a crença bruta, simples e luminosa
de que vai dar certo
e se não der vai assim mesmo
a cura também é continuar
Eu também não gosto de médico, e tenho meus protocolos também.
ResponderExcluirO primeiro é pensar positivo, isso faz a diferença.
O segundo é repousar para abrandar o mal.
O terceiro é não se entregar, seguirem frente como se nada tivesse acontecido.
Seu avô, meu pai também nunca gostou de médico, todo a vida teve o Hospital Português a disposição, mas quase nunca usou.
Sempre ia aos domingos para visitar amigos portugueses velhinhos,que lá pareciam, e ele cansou de passar horas conversando e dando apoio a eles.