te procurei a madrugada inteira
por todos os caminhos neurais
por todas as vias sacras
que desembocam no cerebelo
rodei como uma fita
por cada imagem e som
retrocedendo e avançando
sem nunca ter um único vislumbre teu
até que bem perto do fim
quando o frio se dissipa
e o sol ameaça iluminar
tu surgiu sorridente
com a tua própria câmera
registrando teus próprios registros
pessoas, figurinos, performance
a tua própria cena
eu via a cena da cena
observador do observador
registro do registro
a prova que já se foi
só eu que continuo registrando
a minha própria busca
reencenando uma cena morta
à procura de uma flor negra
florescendo sobre uma pele branca
Nenhum comentário:
Postar um comentário