por muito tempo
vivi como répteis rastejantes
movendo-me sinuoso
espreitando a mim mesmo
negando hormônios em ebulição
em troca de sangue frio
sempre atrás de calor
hoje já nem sei
onde o sol sussurra
se ainda existe algum astro
ou se meus sentidos me traem
eu-serpente-rei
insinuante e silencioso
forjado no gelo da indiferença
represado a cada curva
convivo com o risco
de acender as cidades do mundo
ou soterrar seus descendentes
mas às vezes esqueço
os motivos pelos quais
abandonei minhas peles
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