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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

sede da lüa

havia flores no jardim,
todas as cores possíveis,
quentes, vibrantes, quase incandescentes.

havia água adormecida nas sementes dos coqueiros,
rios inteiros escondidos em pequenas cápsulas,
escorrendo em direção ao mar,
abrindo caminhos invisíveis.

até que a lüa cheia rasgou o céu
revelando tudo que estava oculto.
a necessidade de tudo que não havia,
um cansaço antigo do ser.
a abundância virou deserto,
um esgotamento silencioso,
uma sede insaciável de paz.

em nome do amor,
as flores murcharam até virar cinza,
os coqueiros tombaram enfermos,
os rios perderam a voz,
não mais caminhos para canto nenhum.
e o mar permaneceu inalcançável,
miragem líquida no horizonte.

mas também por amor
é preciso semear de novo,
abrir sulcos na terra sedenta,
para que a água encontre passagem,
e o mar volte a ser destino,
não ilusão.

sábado, 23 de agosto de 2025

nas bordas da catástrofe

caiu como um meteoro, aniquilando e extinguindo todo mundo conhecido.
fechando ciclos, abrindo espaço para uma nova era.

o primeiro impacto foi catastrófico:
uma esfera de fogo atravessando o céu,
transformando um dia bonito de sol em inferno.
tudo ardendo, derretendo, incinerando
até a última gota virar combustível, até a última sombra virar luz.

o fogo do fim ardeu por dias.
gritos de terror eram levados pelo vento,
ventos fortes que mantinham a temperatura insuportável.
uma combustão perfeita, incontáveis graus celsius,
iluminando tão intensamente que cegou.

no fim, tudo endureceu.
sedimentos cobertos por cinza espessa,
camadas sobre camadas escondendo ainda o rubro da lava,
correndo em rios vermelhos sileciosos, ameaçando nova erupção.

depois do fim,
as cinzas, antes deserto, viraram húmus
e no meio da devastação, tímida,
rompeu o solo uma xanana.