o dia que nunca acaba
acorda sempre na mesma falta
a sombra que entra igual pela fresta
se retroalimenta num ciclo vicioso
o corpo reconhece o roteiro
antes mesmo de abrir os olhos
o mesmo dia se repete
não por magia
mas por insistência
parece preso num ciclo
que se sustenta na estagnação
como um motor dando corte
não é exatamente uma ilusão
é uma realidade moldada à mão
pelo desejo de permanência
pela recusa em acordar
de um sonho
que há muito tempo virou pesadelo
viver eternamente no mesmo dia
é uma forma lenta de morte
sem ruído
sem ruptura
sem mudança
o amor perde peso
vira hábito
repetição sem risco
promessa sem corpo
aceitar a impermanência
não é desistir
é aprender a atravessar
o medo de perder
para que algo
ainda possa
acontecer
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