como se não bastasse desfiar
a nossa gramática
aquela que só faz sentido
pra nós
tecida na viscosidade
da experiência
atravessada
além desse martírio
que já deveria bastar
um amanhã se foi
junto com ele
bibliotecas e cartórios
nada mais
nem antes nem depois
restou imaculado
tudo corrompido
pelo insistente eterno
até hoje
nada mais é
tudo está
suspenso
balançando
pendulando
sempre por um fio
mas um fio tecido
aracnídeo
os sonhos estão presos
e a teia
não se rompe facilmente
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