quarta-feira, 2 de setembro de 2026

na verdade ainda é uma farsa

reposicionei o espelho

antes ele não me fitava
agora tá me vendo de soslaio

e eu a ele

quando o miro
ainda vejo as imperfeições
as assimetrias
e os riscos na tela

continuo procurando
curioso
todos os sinais
os que vieram
e esses aí que ainda não

antena parabólica
enfiada do mangue
recebo tudo que veio
e as ausências preenchidas
com raios luminosos mortos

sigo em repouso ativo
sem deixar parar
a máquina de fazer festa

mesmo assim
ainda é verdade
qualquer celebração é uma farsa

ritual incompleto
catarse da catástrofe
silêncio em todos os clarins
corpos estáticos

esperando notar
a volta dos que não foram
até perceber
que estão todos aí
e em lugar algum

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