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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

dengo, drogas e devoção

tô querendo
e não tô sabendo pedir
deitado na rede
como se nas nuvens
tivesse quintal

bolei uma flor
numa pétala de rosas
bolei bem pra carai
vou fumar aqui mesmo
fumaça virou reza
no formato de água viva

oi, amor, confirma pra mim
se ainda me quer?
to precisando de muito dengo
droga pesadíssima
e ainda sobra espaço na cama
pra mais um sonho descalço

comer faz a vida prestar
dar faz a vida brilhar
e o resto é só esse intervalo
entre um trago e outro

peguei uma pedra branca
e risquei uma árvore com tuas letras
a última virou triângulo
cortando um coração que já existia

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Todas sextas são banais

É isso.
A dor vem menor, e vai embora mais rápido.
Mas o desejo, ainda tá aqui.

Te confesso que quase não quero mais.
Tô quase conseguindo soltar.
E não só ver partir,
mas partir também, mesmo partido.

E te confesso, sem entusiasmo
que me dói não doer como doía antes.
É uma nova dor, mesquinha.
Uma dor que não me reconhece.
Eu me identificava com a outra.

A antiga era honrosa, apesar de indigna.
Essa agora é desonrosa e indigna da mesma forma.
E, se eu pudesse escolher, nem sei qual dor escolheria.
A outra era incapacitante, agora é inconformante.
Nem sei.

Só sei que o tempo  passando.
Impiedoso, calado, sem dar satisfação.
Roendo tudo, mastigando memórias.
Quase não sobra nada.

E, mais uma vez, talvez seja isso.
Em silêncio. Sem imagem. Sem som.
E eu ainda nem sei se eu acordei.

Se tudo virou sonho,
o passado espia o presente
e o futuro.
Déjà vu.