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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

dengo, drogas e devoção

tô querendo
e não tô sabendo pedir
deitado na rede
como se nas nuvens
tivesse quintal

bolei uma flor
numa pétala de rosas
bolei bem pra carai
vou fumar aqui mesmo
fumaça virou reza
no formato de água viva

oi, amor, confirma pra mim
se ainda me quer?
to precisando de muito dengo
droga pesadíssima
e ainda sobra espaço na cama
pra mais um sonho descalço

comer faz a vida prestar
dar faz a vida brilhar
e o resto é só esse intervalo
entre um trago e outro

peguei uma pedra branca
e risquei uma árvore com tuas letras
a última virou triângulo
cortando um coração que já existia

terça-feira, 1 de março de 2016

Último verão

Enfim aconteceu. Depois de tantos trancos e barrancos enfim aconteceu. E (hoje) parece que não podia ser diferente. Engoliu o choro e ergueu a cabeça. Ainda resta o choro da alma; e esse não se vai, mas já dá sinais de fadiga.

O que parecia impossível, inconcebível e inaceitável está acontecendo: o verão findou. Os tempos agora são incertos, é verdade. Mas a morosidade do outono passa, o ar gélido do inverno também; e fica a promessa de uma calma primavera e um ardente novo verão.

E o que ficou foram as lembranças, os sentimentos, os gostos, os cheiros e o silêncio. Silêncio eloquente, ensurdecedor. Mas guardo, porque sei que foi verdadeiro.

Mas não aconteceu.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Highlover

22:00

Ligo a televisão. Mudo de canal. Dois segundos e mudo de novo. O que não muda é que tudo muda. Mudo. Checo o celular. Passeio pelas redes sociais. Coloco o celular de lado e volto os olhos para a televisão. Muda. Guia de canais. Mudo, mudo, mudo. Nada. Desligo a televisão.

22:30

Preparo a cama, acho que já deu a hora de ir dormir. Férias em todos os sentidos. Por que dormir tão cedo? Um banho quente, relaxante. Mas o sono ainda não desperta. Hoje é quinta-feira. Mas é férias. Então pego minha bermuda mais surrada e minha camisa mais largada. E saio. Primeiramente sem rumo, depois me encontro.

23:00

Fecho os olhos. Caminho. Abro os olhos na praça. Faísca. Faísca. Fogo. Apaga. Faísca. Faís... Fogo! Inspiro curta e repetidamente. Inspiro longamente. Uma vez, duas, três vezes, perdi a conta. Sensibilidade e sinestesia. Sorriso e introspecção. Amor e saudade.

23:30

Fome sorridente. Sanduíche ou sushi? Perto ou longe? Barato ou caro? A moça que me acompanha é impiedosa: Sushi, longe e caro. Ai de mim!

0:00

Amor e saudade. Harmonia e êxtase. O mais intenso êxtase. Penso e imagino. E é sublime. Uma menina. Seria bom ter uma menina. Mas já não sentamos lado a lado. Já não sentamos há muito tempo. Que pena, que pena. Mas antes de você ser eu sou.

0:30

Lar. Calmo, escuro e confortável. Ler. Ameno. Formigamento e dormência. Apago preso em paixão.

1:00

Formigamento e dormência. Demência. Apago.

1:30

Acendo. Aceno. Pleno. Sereno.

2:00

Desperto. Quebro o encantamento e desperto. Liberto, durmo.