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sexta-feira, 25 de julho de 2025

aforismos

quem acha que sabe tudo
não aprendeu nada
quem é rígido demais,
quebra

tarde na praia, ensaio sobre desapego
castelos de areia que as ondas pouco a pouco apagam sem rastros
ou subitamente arrastando tudo

presente no instante
em reverência,
sem medo

o corpo inteiro guardando a memória
olhos como espelho
abraços onde há braços
abrigo no teu sorriso

a maré avança, recua, ora intensa pra suave
às vezes de ressaca, outras inebriada

de repente desaprendemos
presos às regras que nós mesmos criamos
mas a regra é desregrada
riso, movimento, descoberta e diversão
da rigidez para o movimento, da regra para o jogo, da teoria para o corpo
a regra é morar no agora

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Blurple

Hoje não resta mais ninguém a não ser a ausência.

Cabelo, sorriso, olhos, nariz, jóias anodizadas, braços, riscos, pernas, barriga, corpo inteiro ausente. Presente nos pensamentos, rastro cromático, performance delirante. Fecho os olhos e sinto... Na verdade, não sinto mais teu cheiro. Tô tentando lembrar, mas não consigo mais. Escuto tua voz em ecos eletrônicos. Mas não a reconheço, essa voz nunca mais falou comigo. Vejo teu rosto piscando na tela. Mas a carne viva tá se perdendo.

O amor tava lá. Talvez mais silêncio do que palavra, mais gesto desajeitado do que coreografado. Talvez só tenha se revelado inteiro quando já era ausência. Malfeito, não dito, mal falado. Mas era amor. Era amor pra caralho. Tava lá. Gravado com tempo, tensão e energia. Anodizado.

Depois da partida o amor que tava malfeito, não dito e mal falado, transbordou, gritou e explodiu. Boom. Eu tava com a granada nas mãos. Dilaceradas tentando reunir os cacos. Tentando segurar um corpo com outro corpo inteiro. Mas é impossível segurar qualquer coisa. Nem o pensamento. Apesar de no momento bem sucedido, mesmo meus pensamentos insistentes falharão.

Meu livre-arbítrio falhará. Vai chegar o dia. E eu estarei lá. Refeito. Um tipo novo de inteiro, reprogramado depois do colapso. Ainda pisca na retina, às vezes. Anodizado em excesso. Agora a liga tá se soltando. O brilho metálico virou fosco. A superfície descasca em tons opacos. A cor viva que pulsava como interface de vida virou um erro de programação.