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domingo, 26 de abril de 2026

equilíbrio em curto

o último ano normal da minha vida
terminou com um grande rompimento

me sentia no auge
a queda
é sempre pior
dada a altura

alguma coisa
já estava falhando

depois
tudo virou caleidoscópio

como se o disjuntor
tivesse disparado
tentando conter o curto

mas a fumaça já subia
o cheiro de morte no ar

já estava em curso

acreditava que isso
era só meu

só que poucos dias depois
o mundo inteiro
entrou em quarentena

os universos colidiram
pro bem
e especialmente para o mal

deixou de ser olho no olho
e voltou a ser olho por olho

o tempo que antes se arrastava
continuou

mas também voou
sem sair do lugar

borrões nas laterais
e um ponto fixo
de hiperfoco à frente

o horizonte cumpre seu papel
e nunca chega

instiga a continuar

atrás
o mais denso breu

à frente
não sei se há luz

ou se é só
o brilho dos meus olhos
que me impede de ver

domingo, 14 de setembro de 2025

não pare

quando não souber o que fazer
corre.
se movimenta, desliza,
descola do chão que te prende,
atravessa portais invisíveis.

apaga a luz,
acende os olhos,
deixa o corpo ser guia da própria vertigem.

a cor é verde:
suco amargo de hortelã-pimenta,
adstringente que raspa a garganta
pra deixar passar.

não fica nada.
nem pensamento, nem saliva.
não serve chá:
serve grito, canto, palavra cuspida no papel.
deixa a espuma do instante acalmar.

quando sentir demais,
não procure razão pois não há.
quando a razão pesar demais,
não encontrará sentimento.

são pesos e contrapesos,
um pêndulo cego
tentando desenhar equilíbrio
num corpo que nunca para de oscilar.